sábado, 7 de novembro de 2020

Ao longo desses quase cinco anos de trabalho, com o Programa Escola Digna, ouvi muitas histórias fascinantes de quem esperou, há décadas, por um espaço escolar, com as mínimas condições para estudar, educar seus filhos ou lecionar. Gente simples, sem posses, de sobrenomes comuns, que vive em povoados esquecidos e longínquos, ou até na zona urbana, mas que acredita na educação como a única porta para sair do ostracismo da injustiça social, da falta de oportunidades e melhorar a qualidade de vida.

Entre essas ricas e emocionantes histórias está a do estudante Alisson (pseudônimo que criei para preservar sua menoridade), residente em Pindaré Mirim, município que, na gestão do governador Flávio Dino, passou a ser referência pela belíssima unidade do IEMA, instalada naquela cidade. Basta uma simples busca no google para observar que a cidade conta com uma unidade de ensino médio técnico, em tempo integral, do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. É justamente nessa escola que Alisson teve o encontro com um projeto de vida que mudou seu destino, como ouvi do professor Frank Oliveira da Silva, gestor Administrativo Financeiro daquela unidade de ensino, que acompanha a trajetória do jovem.

Certo dia, durante a pandemia, ao entregar os certificados dos alunos, a gestão do IEMA sentiu falta de um dos concluintes do curso Técnico em Agropecuária. Após o período agendando, Alisson foi à escola e, em conversa com o gestor, revelou que tinha conseguido emprego em uma empresa no ramo de carnes. O gestor logo o indagou se esse trabalho fazia parte de seu projeto de vida, sem saber que estudante iria responder-lhe com algo surpreendente. Alisson contou que, após concluir o Ensino Médio Integrado à Educação Profissional, na unidade, fora questionado pela mãe se não seguiria o ofício do pai, que é ajudante de pedreiro. E a resposta veio em seguida, com um tom de tristeza: “mãe, eu passei três anos no Iema, me dedicando, hoje eu sou um técnico em agropecuária. A senhora quer que eu seja um ajudante de pedreiro? Não me leve a mal, não estou querendo desmerecer ninguém, não”, enfatizou Alisson e acrescentou: “é que estudei para a gente poder crescer, eu quero lhe ajudar mais um pouco”. Prontamente, a mãe argumentou: “Então, quer dizer que você quer desmerecer um ajudante de pedreiro? Realmente você pensa dessa forma?”, ainda retrucou. Alisson, então, esclareceu: “não, mãe. É que me dediquei e ainda continuo estudando ‘pra’ gente sair dessa situação aqui, quero ajudar você e meu pai”, revelou para a mãe. Depois disso, conseguiu o emprego.

Histórias como a de Alisson representam, segundo Paulo Freire, o resultado da transformação que a escola produz em cada indivíduo, ao afirmar que “A escola não transforma a realidade, mas pode ajudar a formar os sujeitos capazes de fazer a transformação da sociedade, do mundo, de si mesmos.”

Alisson é a prova de que a Escola Digna não é só uma bela e ampla estrutura com móveis modernos e agradáveis para acomodar a comunidade escolar. Notadamente, tudo isso é importante, contudo a escola é feita de pessoas e todo o investimento do Governo do Maranhão, em educação, é para que instrumentos pedagógicos, como o projeto de vida, que faz parte das escolas em tempo integral e que será estendido a outras escolas da rede estadual, abra portas que os nossos estudantes tenham outra visão de mundo, ou seja, que ninguém está destinado a repetir o que seus pais ou avós fizeram, mas que há um leque de oportunidades pela frente, permitindo que ele mesmo seja protagonista de suas escolhas.

Na prática, a Escola Digna do governo Flávio Dino pretende que o estudante tenha um sonho, por exemplo, de ser ator e consiga ser ator, ser cantor e consiga ser cantor, de ser engenheiro e consiga ser engenheiro, de ser médico e consiga ser médico, de ser professor e consiga ser professor. É evidente que cada profissão ou ofício tem seu valor e papel fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade igualitária e justa. Mas é primordial que o Estado ofereça todas as condições e oportunidades para que jovens estudantes como Alisson, que lutam contra o preconceito dentro de casa, sigam o caminho para serem o que sonharam e melhorem sua vida e de suas famílias.

Por isso, todos os dias, este governo trabalha, incessantemente, para entregar ainda mais novas Escolas Dignas no Maranhão, possibilitando que cada vez mais nossos jovens e suas famílias possam esperançar por uma educação transformadora e de qualidade para todos.

Felipe Costa Camarão
Professor
Secretário de Estado da Educação e Reitor IEMA
Membro Titular do Fórum Nacional de Educação – FNE
Membro da Academia Ludovicense de Letras e Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
06/11/2020

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