quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Ao confundir a campanha eleitoral com a sua atuação profissional, médico candidato estaria  infringindo o Código de Ética Médica e a legislação eleitoral.

Nos debates, ele aparece como bonzinho, avesso às agressões e a qualquer tipo de manobras contra adversários. Entretanto, quando se trata de captação de votos, ele exibe sua outra face. O personagem em questão é o deputado estadual Yglésio Moyses(PROS) que vem sendo denunciado por parte da população da área da Vila Luizão e adjacências, por priorizar atendimento apenas aos pacientes que declaram votos nele. O clima de revolta é muito grande naquela região e já existe até informações de vídeos e áudios gravados por eleitores para levar o caso ao Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) e à Justiça Eleitoral.

Além do exercício parlamentar, Yglésio cumpre uma extensa agenda como médico em clínicas e outras unidades de Saúde, incluindo o Hospital da Vila Luizão, que é da rede estadual. Fez questão de não tirar licença, prevendo usar a atuação profissional para fazer política, o que é proibido por lei. De acordo com várias denúncias de moradores, o médico candidato, estaria contrariando frontalmente o Juramento de Hipócrates.

O trabalhador José Antônio Ferreira foi um deles. Disse que enfrenou uma grande fila e quando chegou sua vez, foi avisado pela atendente de que o Dr. Yglésio não poderia atender, porque já havia estipulado a sua cota. O problema é que José Antônio permaneceu ainda alguns minutos e percebeu que outras pessoas foram atendidas posteriormente.

Indignado, foi ver com a atendente e ela disse que ele estava apenas recebendo eleitores.  Depois, viu que a pessoa que entrou após a sua tentativa, estava portando uma receita médica.

“Estou revoltado com essa atitude desse deputado que quer ser prefeito de São Luís. Ele está é usando o consultório dele aqui como comitê de campanha e isso não pode”, afirmou o trabalhador, que destacou não saber a quem recorrer contra essa ação de Yglésio.

Outra que também passou por ação semelhante foi a dona-de-casa Maria da Anunciação Silva. Ela afirmou ter procurado o hospital e foi direcionada para Yglésio, que não a atendeu, sob a alegação de que já havia ultrapassado o número de atendimentos, mas percebeu que outras pessoas entraram no consultório.

“Ele está selecionando apenas aqueles que irão votar nele. Está fazendo campanha dentro do hospital e o governo não pode aceitar uma coisa dessa. A gente enfrenta uma fila enorme, perde um tempão e depois ele só atende quem bem entende. Isso é uma falta de vergonha”, acrescentou a dona-de-casa.

O QUE DIZ A REGRA?
O Conselho Federal de Medicina (CRF) alerta quanto à necessidade de obediência à legislação eleitoral e ao Código de Ética Médica durante a campanha. Tanto que orientou os Conselhos Regionais a informar e orientar os médicos candidatos a cargos eletivos e a sociedade sobre os limites éticos e jurídicos entre a atuação profissional e a campanha eleitoral.

Além disso, cabe ressaltar que o artigo 41 da Lei 9.504/97, que estabelece normas para as eleições no Brasil, veda ao candidato “doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza”. Já o Código de Ética Médica (CEM) define, entre os princípios fundamentais do exercício ético da medicina, que “o trabalho do médico não pode ser explorado com objetivos de lucro, finalidade política ou religiosa”.

O link do áudio abaixo:

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