segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Instituto investigado por pagamento de propina esconde rejeição de Eduardo Braide

Há um fato curioso na pesquisa Ibope de intenção de votos para prefeito nas eleições deste ano, contratada e divulgada nesta segunda-feira (21) pela TV Mirante: não há qualquer registro sobre os índices de rejeição de nenhum dos candidatos na disputa pelo Palácio de La Ravadierre.  



A sondagem veiculada no Bom Dia Mirante aponta liderança do deputado Eduardo Braide, do Podemos, com 43%. Os dados, entretanto, trouxeram números que foram questionados nas redes sociais. 


Mas esse é apenas um dos fatos estranhos envolvendo a pesquisa. O principal deles está relacionado ao próprio instituto que realizou o levantamento. Trata-se do Ibope, empresa que teria sido usada para dissimular o pagamento de propina ao senador Rena Calheiros, conforme Ricardo Saud, um dos delatores da empresa J&F, que entregou ao Ministério Público Federal notas fiscais e contratos comprovando o suposto crime.


Em depoimento prestado no âmbito da Operação Alaska, Márcia Cavallari Nunes – estatística que assina a pesquisa apontando a liderança de Braide – nega que instituto emitiu nota fraudulenta para repassar propina ao senador, mas a  acusação consta em delação premiada que faz parte do inquérito sobre propinas a parlamentares do MDB em troca de apoio à candidatura de Dilma Rousseff em 2014.


É importante trazer à tona esse tema por entender que é fundamental esse detalhe, seja aqui ou em qualquer parte do mundo, para uma análise realista do quadro. Afinal, como é que se informa à justiça eleitoral um questionário para apurar o índice de rejeição e não se divulga os dados? Quem teria interesse em esconder esses números da população?


Há modos e modos de se divulgar os resultados de uma pesquisa. Cada um escolhe o que mais lhe convém. Como nas decisões judiciais, convencionou-se dizer que critérios editoriais não se discutem, em nome do direito sagrado da liberdade de imprensa.


Tudo bem, mas também não é preciso exagerar nem achar que ninguém vai perceber a manipulação. É por essas e outras que algumas pessoas comparam pesquisa a um biquíni: mostra o principal, mas esconde o essencial. 


Será se Braide acha que pode ser eleito escondendo sua eventual rejeição? Se fosse assim, Edson Lobão tinha sido reeleito senador, Fernando Haddad seria hoje o presidente eleito e Roseana estaria no seu novo mandato de governadora.


O que quero dizer com isso? É que às vezes a rejeição é tão consolidada que impede qualquer crescimento do candidato. Por tanto, por enquanto, por falta desse dado, é prematuro qualquer análise favorável ou desfavorável para qualquer candidato na disputa pela Prefeitura de São Luís ainda mais sendo realizada por um instituto investigado por repasses de propina.

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