sábado, 18 de julho de 2020

Começo esse texto fazendo uma pergunta a você, que me prestigia com sua leitura: você imaginava que sua geração viveria uma pandemia? Talvez, assim como eu e outras tantas pessoas de diferentes idades, você jamais presumiria viver algo parecido. Em todo o mundo, a crise pandêmica ditou novas regras para as rotinas da vida. Na educação, acompanhamos a paralisação repentina de escolas, impondo milhões de estudantes a fazerem o caminho de volta para casa. Ao mesmo tempo em que os portões escolares eram fechados abruptamente, a adaptação pedagógica, também, teve que dar sua resposta de maneira rápida, levando a rotina, antes vivida nas escolas, para dentro dos lares de cada estudante, como tentativa de minimizar os impactos negativos da pandemia no contexto educacional.

A cada passo dado, o pensamento já deveria estar no próximo, avançando, quando era possível e retrocedendo, quando necessário. E, no decorrer desses 4 meses, o passo mais esperado por todos nós tem sido a reabertura de nossas escolas.

Atentos, acompanhamos o regresso de estudantes às escolas, em diferentes partes do mundo que vivenciaram o coronavírus, antes de nós e todas as medidas adotadas, como forma de minimizar os riscos para todos. Ao passo em que, dia após dia, debatíamos com educadores, instituições e entidades das mais diversas áreas de atuação, íamos construindo nosso próprio protocolo, que nortearia o nosso retorno, quando ele fosse possível. E se tem uma palavra que pode expressar muito bem tudo que minha equipe e eu vivemos à frente da gestão educacional no Maranhão, nesse período de pandemia, essa palavra é resiliência.

Resiliência para debatermos a construção coletiva do protocolo pedagógico e sanitário para a tão sonhada reabertura de nossas escolas. Resiliência para aceitar que nossas ações, por mais diversificadas que fossem, jamais alcançariam todos os estudantes do Maranhão; afinal, vivemos em um estado enorme geograficamente e que ainda carrega o peso de anos de descaso com seu desenvolvimento. Resiliência para compreender as cobranças de muitos que queriam logo retornar para as escolas e pressionavam o governo do Maranhão para reabri-las. Assim como o medo de tantos outros que, neste momento, estão cheios de dúvidas e se questionam se, agora, é o momento certo para essa retomada.

Compreendemos as preocupações que pairam na cabeça de todos, pois vivemos um momento completamente atípico, talvez até jamais imaginado por muitos, como iniciei falando neste texto. Mas deixo claro que nosso retorno dar-se-á de forma muito cautelar e responsável e afirmo isso, não apenas como servidor público e gestor da pasta da educação maranhense, mas, principalmente, como pai – que compreende o zelo de cada pai com o seu filho; como filho – que sabe o quão importante é ter seus pais em casa; e como cidadão – que, também, enfrenta os mesmos medos e dúvidas, mas que precisa encará-los para que a vida siga adiante, apesar das circunstâncias.

Se as condições sanitárias permanecerem como estão, as atividades presenciais nas escolas da rede pública estadual devem voltar, a partir de agosto, de forma gradual, dividida em diversas fases, como se estivéssemos subindo uma escada, caminhando degrau por degrau, usando, como corrimão de segurança, os estudos e protocolos sanitários das autoridades. Primeiramente, retornarão as equipes administrativas e professores, que passarão por um trabalho de acolhimento nas suas escolas, com vistas a minimizar os impactos negativos que a pandemia possa ter ocasionado no socioemocional de cada um. Momento, também, importante para que possam reorganizar o espaço físico da escola para o retorno dos estudantes e o trabalho pedagógico, adaptando-o à nova realidade que nos espera: o ensino híbrido, que, por algum tempo, será adotado em nossas escolas para que não tenhamos aglomeração nos ambientes escolares.

Por último, autorizaremos o retorno dos estudantes, de forma escalonada, das séries mais avançadas para as séries iniciais, sempre com intervalo entre cada nova série autorizada a retornar, para que possamos observar as novas análises sanitárias das autoridades sobre o respectivo momento.

Depois de tudo que temos vivido, nos últimos meses, não colocaremos estudantes em sala de aula de uma vez, com uma sobrecarga de conteúdo do ano letivo. Será um retorno gradativo, com cautela e que leve em consideração, principalmente, o emocional de cada um, com atividades de acolhida para os primeiros dias desse retorno, para que todos se sintam bem e parte fundamental daquela comunidade. Como sempre tenho feito questão de afirmar, este retorno é um trabalho que está sendo pensado e organizado por uma equipe que segue empenhada para que tudo ocorra da maneira mais tranquila possível. Um retorno sereno, que, respeite, principalmente, o emocional de todos que compõem nossa comunidade escolar.

Atrelado a todas essas ações, nossas escolas reabrirão suas portas de maneira diferente. A rotina de ensino será híbrida, juntando o ensino presencial e remoto, e os estudantes de cada escola serão distribuídos em dois grupos, que deverão ser alternados semanalmente. Em outras palavras, em uma sala de aula que tem 40 estudantes, enquanto 20 estiverem em atividade presencial na sua escola, os outros 20 deverão permanecer em casa, executando atividades remotas, passadas pelos professores, com o uso de recursos diversos, como material impresso, aulas gravadas, entre tantas outras possibilidades que as circunstâncias nos permitem e que foram regulamentadas pelo Conselho Estadual de Educação do Maranhão.

O momento é delicado e exige cautela, mas, também, impõe a adaptação a esse novo tempo. A crise pandêmica, que tanto nos trouxe perdas e incertezas, obriga-nos à reinvenção e a sair da limitante zona de conforto, para reencontrarmos nosso novo caminho, em busca do amanhã.

Por fim, deixo-os com uma genial frase de Stephen Hawking, que muito diz sobre nosso constante processo de evolução e adaptação: “Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança”. E é isso que o momento grita para todos nós: adaptação para seguirmos em frente.

E, se Deus permitir, retornaremos às nossas escolas, sim! Voltaremos a tê-las com aulas, construção de pensamento crítico e alimentando os sonhos de nossa juventude. O ano letivo não está perdido e juntos, mesmo que distantes fisicamente, e com novos protocolos a seguir, conseguiremos sair mais fortes, melhores e promovendo a verdadeira mudança pela qual, há décadas, o setor educacional clama. Sigamos em frente, enquanto Deus nos permitir!

Felipe Camarão

Professor

Secretário de Estado da Educação

Membro da Academia Ludovicense de Letras e Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

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